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Dica de Filme

"O Uivo"
2015
Direção: Paul Hyett


TERROR SOBRE O CONHECIDO MITO DO LOBISOMEN ACERTA AO APOSTAR NA SIMPLICIDADE DA HISTÓRIA, UNIDA A UMA TENSÃO CONSTANTE

Filmes de terror não precisam ser complexos, é verdade, mas, ao mesmo tempo, necessitam do mínimo de eficiência para cumprirem bem o seu papel, que é o de assustar. E, incrivelmente, é este o problema de muitas produções do gênero atuais: elas não assustam. Isso porque muitos, na ânsia de conseguirem o seu intento, investem num clima de suspense que nunca se concretiza, deixando, muitas vezes, o resultado monótono, para só no final tentar surpreender. É, então, que chegamos a "Howl: O Uivo", que, se não reinventa a roda, ao menos é um eficiente exercício de tensão, conseguindo ser um ótimo entretenimento dentro de um subgênero tão desgastado quanto o de "filmes de lobisomen".




A trama tem como ponto de partida a história de Joe, que trabalha como segurança de viagem de trens. Após uma promoção sua ser recusada, ele se vê obrigado a estender o seu horário numa viagem do trem Alpha Trax. Enquanto passa pelos mais diversos tipos de passageiros, Joe repensa muito de sua carreira profissional. É quando o trem para bruscamente, aparentemente, por ter atropelado um animal silvestre. E, é quando o maquinista sai para sabre do que se trata, que o horror começa para Joe e os poucos passageiros daquela viagem, pois, eles passam a ser atacados por uma estranha criatura, precisando ficar presos nos vagões, acuados pelo tal monstro. 

Nesse meio tempo, vamos sendo apresentados a outros personagens, alguns mais, outros, menos interessantes. Entre os que se destacam, estão Nina, uma jovem bastante antipática, Kate, que se mostra histérica de início, mas, que será importante para a trama, Adrian, que se mostra agressivo, e, posteriormente, chegará a apresentar tons vilanescos, e um casal de idosos, Ged e Jenny, "responsáveis", digamos assim, por um dos momentos mais tensos do longa. O restante dos que aparecem aqui, infelizmente, são bem mais caricatos, e não acrescentam muito à narrativa, servindo somente como vítimas dos monstros. Mas, o que conta mesmo é a atmosfera claustrofóbica que o diretor Paul Hyett impõe ao longo do seu filme. Usando o mínimo espaço dos vagões do trem, ele constrói cenas bem impactantes.




O roteiro, simples até dizer basta, ainda se dá ao luxo de não explicar muito sobre a aparição das criaturas, ou algo do tipo. Elas simplesmente surgem caçando os humanos, e pronto. Isso, inclusive, até justifica um furo de roteiro, quando, já no final do filme, eles aparecem na luz do dia, o que contraria a mitologia da criatura, mas, se não é explicado muito sobre ela, então, esse artifício é até cabível. O que talvez incomode, e esse seja o principal defeito do longa, é o seu terceiro e último ato, um tanto quanto corrido, com soluções fáceis, e até mesmo um desfecho meio moralista (apesar de empolgante, venhamos e convenhamos). Mas, faltou aqui um pouco mais de ousadia para, aí sim, estarmos diante de uma pequeno clássico moderno do gênero.

Um ponto alto do filme é a sua maquiagem, mostrando os lobisomens de maneira bem assustadora, aonde até os efeitos computadorizados (quando inseridos) não incomodam. Por sinal, o diretor Paul Hyett era colaborador do cineasta Neil Marshall, sendo responsável pelos efeitos visuais de "Juízo Final", "Abismo do Medo", "Centurião" e "Dog Soldiers". Portanto, seria de imaginar que já neste "O Uivo", que é o seu debut, ele iria fazer um trabalho, nesse sentido, de qualidade. No campo das atuações, não há muitos destaques, apesar de termos um ou outro que se saem aqui muito bem, como Ed Speleers, que interpreta Joe, e Elliot Cowan, que faz de Adrian um ótimo antagonista. Completa tudo uma fotografia eficiente, que soube trabalhar bem em meio a ambientes bastante escuros, dando um ar ainda mais pesado de desolação.




É verdade que não estamos diante de nenhuma obra-prima dohorror, mas, tão pouco se trata de uma produção descartável. Caso tivesse ousado um pouco mais no roteiro, e suprimido alguns personagens verdadeiramente desinteressantes, é certo de que "O Uivo" seria um filmaço. No entanto, ainda assim, como filme de terror, sai-se muito bem na tarefa, oferecendo uma hora e meia de pavor e muita tensão. Sem complicações, sem histórias que querem ser mais do que são, sem firulas, enfim. Tudo muito seco, direto e objetivo. E, isso já basta.


NOTA: 7,5/10


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