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Filme Não Recomendável

"Alien: Covenant"
2017
Direção: Ridley Scott


MAIS UM EXEMPLAR DA CINESSÉRIE "ALIEN" É JOGADO NA VALA COMUM DA FICÇÕES CIENTÍFICAS MEDÍOCRES (MAIS UMA VEZ)

Há casos em que vamos assistir a um filme com a mínima expectativa possível, e nos surpreendemos. Mas, há outros, no entanto, que cumprem a promessa de não oferecerem nada de relevante, e este é o caso de "Alien: Covenant", mais um filme protagonizado pelo macabro xenomorfo, monstro criado pelo artista plástico suíço H. R. Giger. A questão é: depois do hoje jurássico "Aliens: O Resgate", ainda há espaço para a mitologia do Alien no cinema? Como os tempos são outros, o diretor Ridley Scott, que comando o primeiro filme da cinessérie em 1979, resolveu revisitar o seu maior clássico no irregular "Prometheus" (afinal, sabem como é, tudo precisa ser milimetricamente explicado através de de um "filme de origem", um "prelúdio", digamos assim). E, eis que chegamos em "Alien: Covenant", onde tentam (de novo) explicarem a origem da criatura, com resultados pífios (de novo).




Na realidade, este filme deveria ter dispensado todos os personagens possíveis e imagináveis, e ter ficado apenas com os androides Water e David, ambos interpretados com competência por Michael Fassbender. Isso porque são desses personagens as melhores cenas, os melhores diálogos, os melhores momentos. Talvez até, quem sabe, a produção ficasse um pouco acima da média, e surpreendesse. Pra se ter uma ideia, logo na primeira sequência, temos um diálogo interessante envolvendo o cientista Peter Weyland, que já havíamos conhecido em "Prometheus", com a sua mais fabulosa criação, o androide David, que estava na tripulação do filme anterior. A conversa, mesmo que não tão aprofundada, trata de maneira bem atraente a questão básica "de onde viemos". Ali, criador e criatura divagam sobre o tema, culminando numa fala perfeita de David: "Você, que é humano, não viu o seu criador. E, eu, um androide, estou agora diante do meu. Mas, você, um dia, vai morrer; eu, não".

Já que o roteiro resolveu começar com essa carga filosófica, que fosse até o final. Porém, esse diálogo no início só dura uns três minutos, e, imediatamente, somos colocados a vislumbrar a nave tripulada Covenant, que está partido para um planeta habitável com o objetivo de colonizá-lo. Em seu interior, além da tripulação "especializada" (já, já, vocês entenderão as aspas), há ainda 2000 colonos em hibernação criogênica, mais algumas centenas de embriões, e o androide Water, construído da mesma forma que David, e é ele que comanda a espaçonave ao seu destino. Uma intermitência espacial, no entanto, provoca danos sérios, o que ocasiona a morte de um deles. Pouco depois, captam um planeta, aparentemente habitável, e que está mais perto do que o outro do qual estavam seguindo. Resolvem, então, aterrizar no local, e caso seja possível, já fazer a colonização ali mesmo, nesse novo planeta "descoberto".




Os problemas do filme começam a partir daí, pois, mostra, claramente, que os "especialista" que estão no comando da espaçonave possuem muito pouco de especialistas. Mesmo com dados de que o planeta "teria" uma atmosfera habitável, o que a tripulação resolve fazer? Explorar o lugar sem capacetes, máscaras de proteção ou qualquer coisa parecida. E, adivinhem? É esse nível de amadorismo que resultará no começo do terror que aquelas pessoas enfrentarão. E, quando o terror começa mesmo, o descontrole é geral, chegando ao ponto de uma das tripulantes explodir uma das naves só para tentar atingir um dos aliens (!). Quando a situação chega nesse nível, muito provavelmente o espectador que está assistindo a isso aqui já se desinteressou pelos humanos da história, e quer mesmo é que eles morram nas garras do monstro, o que, pra esse estilo de filme, é péssimo.

Some-se a isso o fato de todos os personagens (menos David e Water, como já foi dito) serem completamente apáticos, sem o mínimo de carisma. Obviamente, que não havia a necessidade de termos aqui uma "nova Tenente Ripley", mas, que, pelo menos, o roteiro tivesse trabalhado melhor as pessoas que vemos aqui. Alguns momentos, só para nos forçar a nos comovermos com os personagens, beiram o pieguismo de puro mau gosto. As partes mais interessantes são mesmo quando David e Water interagem, numa espécie de "jogo", aonde os dois medem forças de quem é mais desenvolvido, provando que a busca pelo seu bem pessoal, com um quê de egocentrismo, é uma característica tão humana que as nossas criações podem muito bem desenvolver esse tipo de atitude. Porém, estamos diante de uma ficção científica de terror, que não tem nada de existencial ao nível de um "2001" ou de um "Solaris", por exemplo. E, nessa indecisão entre a reflexão e a montanha-russa sanguinolenta, o espectador é que sai perdendo ao assistir um filme "sem alma".




As atuações (com exceção de Fassbender) são bem medíocres. Nenhuma se destaca, o que faz com que os personagens fiquem ainda mais "desimportantes" em cena, servindo apenas como banquete para o xenomorfo. E, incrivelmente, com toda a bagagem que lhe pesa, Ridley Scott faz aqui uma direção muito ruim, em especial, nas cenas de ação, ora genéricas, ora, simplesmente, deixando tudo "picotado" demais, fazendo com que não entendamos o que está acontecendo na tela. Salve-se, pelo menos, o design de produção, que construiu ambientes bem interessantes, seja dentro da espaçonave Covenant, seja no planeta que a tripulação desembarca. E, claro, há a criatura Alien, que, neste filme, é muito mal utilizada, "aparecendo" demais, deixando o suspense em último plano. E, quando ela surge, os efeitos especiais também não são dos melhores, proporcionando cenas de carnificina até fortes, é verdade, mas, que abusam tanto do gore, que, no final, perdem bastante do impacto.

Sim, não precisávamos de outro filme da cinessérie "Alien". E, se fosse pra ser feito, que a história progredisse, ou com a saudosa Tenente Ripley, ou com outra geração de tripulantes, tanto faz. O que fica deslocada é essa tentativa fajuta de tentar explicar o conceito desse universo, e se perder como vem se perdendo. Talvez, coubesse a troca de diretor, quem sabe. Pelo menos, alguém que tivesse mais "vontade" de fazer esses filmes, pois, fica nítido que Scott não está conseguindo mais acertar a mão no universo que ele próprio consagrou quase 40 anos atrás. O final de "Alien: Covenant" deixa claro que teremos mais um filme da franquia. Será que ainda dá tempo de recuperar o que foi perdido? A probabilidade é pouca, mas, quem sabe a gente ainda não veja a força dessa criatura revigorada no cinema. Por enquanto, o que temos são filmes que nem como diversão passageira conseguem cumprir o seu papel.


Nota: 3/10


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