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Dica de Disco

"Heaven and Hell" (1980)
Artista: Black Sabbatah.


Algumas obras, realmente, estão "fadadas" a serem clássicas, não importando as circunstâncias. Em se tratando de uma banda como o Black Sabbath, não deveria ser algo surpreendente. Mas, no final dos anos 70, não era bem assim. Um dos frontmen mais carismáticos da história do rock tinha acabado de sair do grupo: Ozzy Osbourne. Substituir o eterno madman à altura parecia algo impossível. Só mesmo um milagre dos desuses!

Eis que surge o baixinho Ronnie James Dio, e o seu vozeirão dos infernos. Já fazendo um razoável sucesso com o Rainbow, banda do Ritchie Blackmore, Dio se integrou ao Sabbath, e algo inusitado aconteceu. Normalmente, quando um grupo muda de vocalista este se adapta ao som dela. Aqui, não! Foi a banda que se adequou ao seu novo cantor. Se antes o Sabbath tinha um som mais arrastado e soturno, agora, as músicas eram mais rápidas, pesadas e cadenciadas, aproximando-se mais do heavy metal do que antes.


Mas, não só! Se antes as letras giravam em torno de temas ora macabros, ora que faziam menção a crises existenciais, a banda passou a abordar assuntos mais ligados ao mundo fantástico, como lendas medievais, Tolkien e essas coisas que adoramos! Com tantas mudanças, o Black Sabbath se prepara, então, para lançar o seu novo disco. Lançado oficialmente em 24 de abril de 1980, "Heaven and Hell" trazia um material espetacular, e se existiam temores quanto à qualidade do grupo com a entrada de Dio, esses foram dissipados rapidamente já no primeiro acorde que abre o trabalho.

"Neon Knights" é o protótipo da perfeita música de rock pesado. Baixo dando o tom veloz, a guitarra ensandecida e vozes realmente épicas. Que início! Não obstante, continuam com a belíssima "Children of the Sea", quase uma balada (aos moldes do Sabbath, claro). Perdoe-me os fãs de Ozzy, mas essas duas canções fazem esquecer o antigo vocalista da banda bem fácil. Ele, de fato, tinha carisma (e, ainda tem, diga-se!), mas Dio, em termos de técnica, era superior, e muito.


Tal técnica se confirma na música-título do álbum. O riff onipotente de Tommy Iommi, o baixo forte de Geezer Butler, a bateria seca de Bill Ward e a interpretação de Dio fazem dela uma das melhores composições da banda (até hoje!). O final apoteótico fazia tremer os shows da banda. Outras canções menos conhecidas, mas que merecem destaque, são as maravilhosas "Lady Evil" e "Wishing Well" (que som de guitarra soberbo de ambas!), e a linda "Lonely is the World", com um solo emocionante.

No final, mesmo algumas músicas sendo melhores do que outras, todas as 8 canções presentes em "Heaven and Hell" são intocáveis. Essa maestria se refletiu no sucesso da época. O álbum foi disco de platina duplo no Reino Unido, platina nos EUA e ouro no Canadá. Chegaram até a relançarem o antigo álbum "Paranoid" (o 2º da banda, ainda com Ozzy nos vocais), que chegou a figurar no 14º lugar nas paradas.


"Heaven and Hell" pode não apenas ser considerado como um divisor de águas na carreira do Sabbath, como também foi o responsável pela sua sobrevivência , que dura até os dias atuais. Infelizmente, Dio não está mais neste plano (ele nos deixou em 2010), mas, com certeza, este é uma de suas melhores contribuições na música, algo de que ele tanto gostava.

Em resumo: clássico é clássico! E, fim de papo!


NOTA: 10/10. 

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