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Dica de Filme

"Zazie no Metrô" (1960)
Direção: Louis Malle.


Como definir algo, aparentemente, indefinível? "Zazie no Metrô" não se parece com nada do que já tenha visto no cinema, e, ao mesmo tempo, é parecido com tudo. Entenderam? Vou explicar melhor: o filme do polêmico e, muitas vezes, visceral diretor Louis Malle, faz referências a muito do que já foi feito na sétima arte. Não se trata apenas de homenagem, é, antes de mais nada, uma incrível vitalidade em contar uma estória da forma mais inusitada possível, usando diversos artifícios.

É muito nonsense, é muito surreal, é muito envolvente. E, percebam que tudo gira em torno de uma menina de 12 anos e sua rápida estadia por Paris. Apenas isso. Sim, é também leve e divertido. Porém, em suas entrelinhas, há muitos de satírico, bastante de irônico ao falar da sociedade parisiense da época. Propositalmente, Zazie é mais esperta do que uma criança normal, e, por isso, ela tem uma língua ferina, falando sempre alguma inconveniente verdade.



Mas, o tom crítico não abafa o que o filme tem de melhor: o seu ritmo. Misturando câmera acelerada à lá Chaplin, recursos de desenhos animados, como efeitos sonoros e uma visão lúdica e mágica do mundo, o longa é extremamente rápido e versátil. As imagens mais parecem pinturas em movimento, e o principal de tudo em se tratando de uma comédia: é muito engraçado. Só os muito chatos, mesmo, não rirão com as situações absurdas que vão se desenrolando na tela.

Os personagens à margem de Zazie são igualmente fascinantes, desde o seu tio até um inspetor de polícia que vive a perseguí-la, para, no final, mostrar-se um completamente fascista. Insano, não? Uma das sequências perto do final demonstra muito bem isso, como se o diretor quisesse dizer que tudo precisa ser destruído para um novo e necessário começo. Mas, tudo sem pesar a mão, de forma bem descontraída e interessante.




Lembrando que "Zazie no Metrô" é uma adaptação do livro homônimo do escritor Raymond Queneau. Talvez o único porém do filme seja um certo cansaço com o passar do tempo. O ritmo é tão alucinante que o envolvimento do espectador acaba ficando disperso lá próximo do final. O que é até lógico, pois, dificilmente, uma narrativa de uma hora e meia conseguiria, com essa proposta, manter a atenção 100% do tempo. Mesmo assim, o cansaço é só passageiro, e, logo após, vem o encerramento.




Partindo de uma estética pouco usual, Louis Malle conseguiu realizar um trabalho que possui uma menina como protagonista, flerta com o universo infantil, mas, que não é indicado, necessariamente, para as crianças. É, antes, um recado aos mais velhos, que se esqueceram que a imaginação, o encanto e a poesia são as melhores armas contra um mundo doente e vazio. No fim, Zazie diz que cresceu, mas, com um sorriso maroto nos lábios. Não é preciso dizer mais nada.


Nota:9/10.

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