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Lista

10 Filmes Censurados no Brasil


Falar de censura é sempre complicado, pois, por mais que ela se justifique em algumas ocasiões, ela acaba sempre sendo prejudicial, já que impede, indiscriminadamente, o acesso à informação. Quando se impede ou se restringe a exibição de filmes, em certos casos, pode até parecer que se quer resguardar as pessoas de cenas mais violentas, fortes e repulsivas. Só que, em muitos outros casos, a censura atinge aquele produto que simplesmente quer passar uma mensagem diferente do poder vigente.  E, até mesmo quando se trata de algo violento a ser censurado, é ruim de todo o jeito, pois, tira o poder de decisão do espectador em assistir aquilo, ou não. Existiram no Brasil casos notórios de censura a filmes (tanto nacionais, quanto estrangeiros), e aqui estão listados alguns desses casos mais emblemáticos.


10°
"Muito Além de Cidadão Kane" (1993)
Documentário britânico, feito por Simon Hartog, e exibido pelo Channel 4, emissora pública do Reino Unido, "Muito Além de Cidadão Kane" fala, basicamente, da relação entre mídia e poder, com foco na Rede Globo, e em seu fundador Roberto Marinho. A emissora global, claro, tentou comprar os direitos de exibição do programa no Brasil. No entanto, antes de morrer, Hartog tinha feito um acordo com organizações brasileiras para que os direitos de exibição do documentário não caíssem nas mãos da Globo, a fim de que este pudesse ser amplamente conhecido tanto por organizações políticas quanto culturais. Só que, em agosto de 2009, no auge de uma troca de acusações entre as a Globo e a Record, esta comprou os direitos de transmissão do documentário por aproximadamente 20 mil dólares, e, até hoje, espera a autorização da justiça para transmiti-lo. Apesar da decisão judicial que impede sua exibição em território nacional, "Muito Além de Cidadão Kane" está disponível na íntegra na internet.


 
"Rio 40 Graus" (1955)
Podemos considerar "Rio 40 Graus" como a "inauguração" do Cinema Novo no Brasil, ao mesmo tempo que enfrentou problemas com a censura. Os militares da época, vejam só, queriam proibí-lo por acharem ele uma grande "mentira". Segundo o censor e chefe de polícia da época, "a média da temperatura do Rio nunca passou dos 39,6°C". Prova de que, em maior ou menor grau, a censura é algo burro, sem nenhum fundamento.



"O Grande Ditador" (1940)
A abra máxima de Chaplin, na verdade, teve inúmeros problemas, desde a sua concepção, até a distribuição do filme já pronto. Os produtores tinham receio em "provocar" alguém como Hitler, e o que isso poderia causar de mau estar entre os EUA e a Alemanha. E, não foi diferente no restante do mundo: "O Grande Ditador" foi censurado no Brasil pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) por ser considerado "comunista" e "desmoralizador das Forças Armadas". Bom lembrar que, nessa época, o país vivia sob a ditadura de Getúlio Vargas. Interessante que, no documentário "O Vagabundo e o Ditador", consta que Hitler assistiu ao filme, e gostou, chegando a rir muito durante sua exibição, segundo relatos. Certamente, até ele percebeu o quanto os ditadores são ridículos. Grande Chaplin!



"Laranja Mecânica" (1971)
O clássico "kubrickiano", na verdade, foi bastante censurado em todo o mundo, principalmente, no Reino Unido, onde, de tão massacrado pela crítica especializada, foi banido dos cinemas pelo próprio Stanley Kubrick. Os britânicos só veriam "Laranja Mecânica" na tela grande após 1999, ano da morte do diretor. No Brasil, o filme só veio a ser exibido nos cinemas em 1979, 8 anos após sua estreia oficial, mas, com restrições: nas cenas de nudez, as genitálias dos atores foram cobertas por "bolinhas pretas", mesmo com classificação de 18 anos para a produção.



"O Massacre da Serra Elétrica" (1974)
Grande sucesso de público, o filme, porém, teve sérios problemas com a censura, devido a seu tema controverso e suas cenas fortes. Em alguns cinemas que ele chegou a ser exibido, algumas salas chegaram a disponibilizar sacos de vômito para o espectador. E, claro, aqui no Brasil, o filme também sofreu com a censura, sendo banido de nossos cinemas até 1987, quando, finalmente, foi liberado para exibição sem maiores complicações.



"A Inocência dos Muçulmanos" (2012)
A polêmica em torno dessa produção é bem recente, e atinge até novas mídias, como o YouTube. Trata-se de um curta de 13 minutos, feito na forma de trailer, apresentando algumas opiniões a respeito do Islã. O trailer gerou revoltas em diversas partes do mundo, principalmente no Oriente Médio. Em Singapura, após pedido do governo, o YouTube retirou o vídeo para acesso naquela região e o Egito bloqueou o acesso do site por 1 mês. Houveram até reações violentas, como na Líbia, onde um embaixador norte-americano e dois funcionários foram mortos na embaixada daquele país. No Brasil, o Tribunal de Justiça de São Paulo proibiu o site YouTube de exibir o trailer, por ser considerado ofensivo ao islamismo. A presidente na época, Dilma Rousseff, por sinal, condenou a "islamofobia" no discurso de abertura da 67.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.



"Terra em Transe" (1967)
Glauber Rocha ser censurado não seria novidade alguma. Sua inquietação natural e suas provocações certeiras nunca iriam cair nas graças dos governos militares da época. Quando lançou o estupendo "Terra em Transe", uma formidável alegoria política que critica governo, autoridades, religião, e o que mais viesse pela frente, os censores o consideraram subversivo e irreverente demais com a Igreja. Por isso, em abril de 1967, ele foi proibido em todo território nacional, e liberado somente sob a condição de ser dado um nome ao padre que aparece no enredo (!). "Terra em Transe" também foi proibido pelo regime fascista português, e só liberado em 1974.



"Di-Glauber" (1976)
Este, com certeza, é um dos casos mais longos sobre censura de uma obra de arte no Brasil de que se tem notícia. O cineasta Glauber Rocha e o pintor Di Cavalcanti eram, na época, muito amigos, e quando Glauber soube da morte de Cavalcanti, imediatamente, pegou sua câmera, e filmou todo o enterro do amigo. Foi daí que surgiu o curta "Di-Glauber", que após ser exibido na cinemateca do MAM em 1977, sofreu uma verdadeira batalha judicial para proibí-lo em território nacional, feita pela filha adotiva do pintor, Elizabeth Di Cavalcanti, que considerou o vídeo desrespeitoso para com o pai. Em 1979, a 7ª Vara Cível concedeu liminar a um mandado de segurança impetrado por Elizabeth, vetando a exibição do filme, cuja decisão vale até hoje. Em 2004, porém, um sobrinho do cineasta disponibilizou o filme na Internet, e o público pôde, enfim, ter acesso à obra.



"Eu Vos Saúdo, Maria" (1985)
Um dos mais notórios e conhecidos casos de censura a uma obra de arte no Brasil, tendo como pano de fundo, motivos religiosos. O filme do francês Jean-Luc Goddard, que questionava alguns dogmas cristãos, entre eles, o da virgindade de Maria, já começou sua correira a ferro e fogo: em janeiro de 85, um grupo de católicos invade um cinema de Paris, e rouba uma das boninas do filme, a fim de impedir sua exibição. Seguiu-se a isso inúmeros outros protestos, até a polêmica chegar no Brasil. Recém-saído de uma longa ditadura militar, e ainda capengando numa democracia falha, o país, em geral, tratou a produção de Goddard com preconceito e intolerância. Resultado: o filme foi proibido pela então presidente da República José Sarney de ser exibido em todo o território nacional, algo que não acontecia há muitos anos por aqui.


 
"A Serbian Film - Terror sem Limites"
Parece incrível que, ainda hoje, tenhamos problemas com censura de filmes no país, mas, graças ao pesadíssimo "A Serbian Film" não só vimos que isso ainda é possível, como o fato também gerou um considerável debate a respeito de liberdade de expressão na arte. O filme foi exibido por aqui, pela primeira vez, no VII Festival de Cinema Fantástico de Porto Alegre, e depois, selecionado para o Festival de Cinema Fantástico do Rio de Janeiro (RioFan), na Caixa Cultural. Só que ele foi retirado da programação por ordem da Caixa Econômica Federal, e, com isso, os organizadores do RioFan programaram uma sessão no Cine Odeon, no mesmo dia que havia sido marcado para a exibição no festival (23 de julho de 2011). A controvérsia maior começou quando uma ação judicial foi movida pelo partido Democratas, que expediu uma liminar na Vara da Infância e da Adolescência contra a exibição da obra. A alegação fazia referência às chocantes cenas envolvendo pessoas mortas e crianças. Devido a liminar, a produtora Petrini ficou terminantemente proibida de mostrar o filme comercialmente no Brasil, fato esse que não acontecia desde "Eu Vos Saúdo, Maria", cerca de 26 anos antes. Paralelo a isso, diversas associações de cineastas, críticos e cinéfilos repudiaram a interdição do filme, e foram travaram várias discussões a respeito de censura e liberdade artística a partir desse caso. "A Serbian Film" só foi liberado por aqui em 2012, quando finalmente o juiz Ricardo Machado Rabelo aprovou a exibição da obra em todo o país.

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