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DICA DE DISCO

"FORÇA BRUTA" (1970)




Jorge Benjor sempre foi um artista tipicamente popular. Um dos poucos a transitar por várias vertentes do samba sempre com muita qualidade. E, ainda hoje é apreciado por gente de todos os ritmos, do axé ao rap, passando pelo rock. Começou a carreira lá nos idos da década de 60, tocando o seu indefectível violão na estréia Samba Esquema Novo". Passou a empunhar uma guitarra no divisor de águas "África Brasil", de 1976. Entre esses dois discos, lançou álbuns memoráveis, "Força Bruta" é um deles.




Tendo encontrado uma banda de apoio do porte do Trio Mocotó, Jorge forjou seu próprio samba, reinventando-se, mas com seu swing característico. "Oba, Lá Vem Ela" dá início ao álbum de forma gostosa e descompromissada, de um som dolente e agradável. O destaque dela e de tantas outras canções contidas aqui é o instrumental, bastante afiado. Mas, há de se comentar também a interpretação do próprio cantor, que faz um de seus melhores trabalhos (com exceção da estranha "Teresinha", cuja voz propositalmente fanha de Jorge nela não ficou boa).




"Aparecida Apareceu" e "O Telefone Tocou" são outras ótimas composições que podemos citar em "Força Bruta". Inclusive, existe a incursão, mesmo que discreta, de alguns outros ritmos diferentes do samba, como o xote e o sertanejo (o de raiz, diga-se) nas introduções de "Pulo, Pulo" e "Charles Jr.", respectivamente. O disco se encerra de forma excelente, na faixa-título, com todos executando seus instrumentos de maneira rápida e empolgante.




Muitos ainda torcem o nariz para as letras de Jorge Benjor, acusando-as de serem simplistas demais. E, de fato, aqui não é diferente. Só que esse é o estilo com o qual o artista se baseia desde que começou no meio, e o que mais se adequa. Seria deslocado que ele tentasse algo mais arrojado, na linha de um Chico ou um Caetano, por exemplo. Pois é justamente nessa linguagem simples que ele consegue se comunicar melhor com o seu público.




Sendo ele mesmo, só que acompanhado nesse período de pessoas bastante talentosas, Jorge conseguiu gravar um grande disco; alegre, despojado, festeiro e malandro. Tudo com requinte e bom gosto.

Salve Jorge!


NOTA: 9/10.

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