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DICA DE FILME

"O EXORCISMO DE EMILY ROSE" (2005)




O grande problema dos filmes de terror é que eles mais parecem paródias do que qualquer outra coisa. É só pegar essas produções de seriais killers indestrutíveis para poder fazer um parâmetro mais claro. O medo é relegado a pequenos sustos, que, no final das contas, fazem rir. Poucos filmes se atrevem a fugir desse clichê e criar um clima soturno e macabro o suficiente que faça o espectador não apenas se assustar, mas sentir um profundo pavor, daqueles que espreitam na calada da noite. "O Exorcismo de Umily Rose" consegue isso.

Baseado numa estória real, o filme ganha pontos por não mostrar as sequências que antecederam o exorcismo de Emily de forma linear. O longa, ao contrário, já começa com ela tendo morrido em decorrência dos graves problemas de saúde que passou a ter após as supostas possessões demoníacas. Devido a isso, o padre Moore, que comandou as sessões de exorcismp, é preso por homicídio culposo, e o filme se desenrola quase todo nos tribunais. Nisso, ele acaba sendo defendido pela advogada Erin Bruner, que só aceita o caso pela promoção que teve na sua firma, já que ela se mostra totalmente cética a respeito da estória do padre.




O trunfo do filme é, mesmo nas cenas de horror (que geram um medo genuíno), mostrar os dois lados da moeda. De um lado, a acusação consegue mostrar provas muitos coerentes de que Emily, na realidade, era uma pessoa muito doente, sofrendo, por exemplo, de epilepsia. Já, a defesa consegue demonstrar, gradativamente, que o que ocorreu pode ter sido algo próximo do sobrenatural. E, é esse embate entre a ciência e a espiritualidade que deixa o enredo mais interessante.

Mas, claro que, mesmo sendo conduzido com muita segurança como se fosse um filme de tribunal, "O Exorcismo de Emily Rose" é uma produção de horror, e como tal, mostra cenas apavorantes, que não se limitam a meros sustos. Como ficar indiferente às primeiras visões que Emily tem dos demônios que a irão possuir ou então da derradeira sessão de exorcismo, ocorrida num estábulo? Nisso, há de se destacar a atuação competente de Jennifer Carpenter, que aqui possui um trabalho corporal muito convincente.




Os outros atores também estão bons em cena, principalmente, Laura Linney, como a advogada de defesa, e Tom Wilkinson, como o padre. A direção de Scott Derrickson possui um ótimo ritmo, não deixando nenhum espaço vazio, nem inchando demais a trama. E, os efeitos dão o tom certo à produção, em especial, os sonoros, já que produzem a sensação certa para deixar o espectador imerso na estória.

Ao final, "O Exorcismo de Emily Rose" é um exemplar desse tipo de cinema que se destaca bastante por ter fugido do usual, tendo um enredo envolvente, horrores autênticos e atuações eficientes. Caso tivéssemos mais filmes assim, quem sabe não sentiríamos mais medo diante da tela grande, ao invés de rirmos de paródias mal-feitas.




NOTA: 9/10.

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