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Mostrando postagens de Julho, 2015
DICA DE FILME

"Violeta Foi Para o Céu" (2011)
Direção: Andrés Wood.


Violeta Parra foi uma artista singular. Considerada a mais importante folclorista do Chile e fundadora da música popular chilena, Parra viveu, desde cedo, as agruras e dificuldades da vida. Não se distanciou de suas raízes, mesmo depois do sucesso. E, principalmente, sua arte era reflexo daquilo que sentia, tanto em relação a si, quanto em relação aos que a cercava.

A cinebiografia "Violeta Foi Para o Céu" acompanha sua trajetória, mas não de maneira linear. Não há uma cronologia definida. Apenas, a exposição de fatos que foram marcantes em sua vida, desde o relacionamento conturbado com o pai, até o romance com o suíço Gilbert Favre, o grande amor dela.



Paralelo a esses acontecimentos, acompanhamos trechos interessantes de uma entrevista que ela deu à televisão em 1962. É dessa entrevista passagens reveladoras, como, por exemplo, quando é indagada sobre ela ser ou não comunista. "Mas, o que é s…
DICA DE DOCUMENTÁRIO

"O Céu Aberto" (2011)
Direção: Everardo González.




A História foi, é, e sempre será inusitada. Por mais que se façam previsões de como tal acontecimento vai influenciar o rumo das coisas, às vezes, de onde menos se espera, alguma novidade surge. Foi o que aconteceu em fevereiro de 1977, quando o Monsenhor Romero foi nomeado arcebispo de El Salvador.

O país vivia num ferrenho regime autoritário, e as oligarquias da região, principalmente, os grandes fazendeiros, exploravam o povo de todas as formas possíveis. O trabalho chegava às raias da escravidão, onde os mais pobres trabalhavam tendo como pagamento apenas um prato de comida (que, em muitos casos, estava estragada).




Nesse ambiente desolador, Monsenhor Romero se torna arcebispo por indicação dos setores mais conservadores de El Salvador, o que deixa o povo apreensivo. Porém, gradativamente, o religioso passa por uma transformação pessoal e ideológica, principalmente, após o assassinato de seu amigo, o Pad…
DICA DE FILME

"Estado de Sítio" (1973)
Direção: Constantin Costa-Gavras.



Falar de política no cinema é complicado. Geralmente, o resultado sai panfletário demais, e isso, eventualmente, afasta os espectadores que, muitas vezes, procuram apenas uma boa estória. O cineasta grego Constantin Costa-Gavras tem um mérito muito a seu favor: faz filmes bastante críticos, com uma carga política muito forte, mas que também são puro cinema, com enredo, narrativa e personagens bem elaborados.

A forma como surgiu este "Estado de Sítio" mostra como Costa-Gravas é um diretor diferenciado. Ele estava, à época, pesquisando sobre o embaixador norte-americano John Peurifoy, um dos responsáveis pelo golpe de estado que instalou uma ditadura na Grégia. Só que no meio dessas pesquisas, surge o nome de Dan Mitrione e menções à USAID - United States Agency for the International Development.



Com base nessas informações, o que Costa-Gavras fez? Viajou até o Uruguai para conhecer melhor a histó…
DICA DE DISCO

"Encarnado" (2014)
Artista: Juçara Marçal.




A gama de bons artistas da música brasileira atual está escassa, e isso não chega a ser novidade. Há alguns anos que a criatividade nesse meio anda em baixa, principalmente pelo o que é passado pelos grandes meios de comunicação. Porém, essa acaba sendo também a desculpa perfeita para não procurar por novidades e se acomodar com o que é oferecido. Azar o dessas pessoas, pois não chegarão a conhecer Juçara Marçal.

A cantora fluminense (e não somente carioca, por favor) está num patamar acima das usuais intérpretes que circulam pela recente MPB. Ela não está preocupada em soar como uma caricatura de Elis Regina ou de Cássia Éller. Mesmo tendo similaridade com as duas, Juçara tem identidade própria, forjada a ferro e fogo no meio alternativo. Aqui não tem "samba pra gringo ver", mas, sim, uma miscelânia de referências espertas e bem elaboradas.




"Encarnado" é a primeira viagem-solo de Juçara. Mas, ela não…
DICA DE DISCO

"Construção" (1971)
Artista: Chico Buarque.




Esse disco, facilmente, pode ser considerado como o melhor e mais importante da carreira de Chico. Não apenas por conta da qualidade das composições (tranquilamente detectada), mas também, e principalmente, devido ao período em que feito feito. Só para situar: começo da década de 70. O Brasil vivia o mais ferrenho momento da Ditadura Militar. Garrastazu Médici, ao mesmo tempo que reprimia com violência seus opositores, deixava a opinião pública eufórica com o chamado "Milagre Econômico".

O slogan governamental "Brasil: ame-o ou deixe-o" virou mote entre boa parte da população. E, é justamente nesse ambiente que, depois de um breve período de exílio na Itália, Chico Buarque volta ao Brasil. Claramente, Chico se mostra contra a situação que o país vivia, e resolve passar isso na música. Com tanta indignação em mente, o disco "Construção" é feito. As composições mostram não somente uma evoluçã…
DICA DE FILME

"Polytechnique" (2009)
Direção: Dennis Villeneuve.


Villeneuve sempre foi um cineasta preocupado. Seja com a questão da culpa individual diante de uma fatalidade ("Redemoinho"), com a guerra ("Incêndios"), com a vingança num ambiente hostil ("Suspeitos"), ou até mesmo com a busca de um sentido de vida ("O Homem Duplicado"), o diretor mostra em seus filmes muita inquietação com a condição humana.

Não seria de estranhar, portanto, que uma produção baseada num massacre real ocorrido na Escola Politécnica de Montréal, em 1989, tivesse força e indignação suficientes para o espectador refletir. "Polytechnique" é mais de que um filme que se inspira em fatos verídicos. A forma como foi realizado é um convite ao debate, mas sem pedantismo ou qualquer didatismo.



Primeiro, a cena inicial mostra um grupo de jovens, num dos ambientes da Escola, e, logo depois, vemos tiros atingindo algumas dessas pessoas. Então, a câmera mostra…
DICA DE FILME

"Mad Max - A Estrada da Fúria" (2015)
Direção: George Miller.


Um filme de ação pode ter conteúdo? Essa pergunta poderia soar meio estranha tempos atrás, na época de um "Exterminador do Futuro" ou de um "A Outra Face", por exemplo. Afinal, foram produções que, além da adrenalina, tinham uma estória com substância. Dita hoje, essa pergunta tem bastante relevância, pois os filmes de ação atuais sofrem da "síndrome Michael Bay": muito barulho, toneladas de efeitos especiais e um conteúdo que é nada menos que nada."Mad Max - A Estrada da Fúria" conseguiu, de certa forma, ser o filho bastardo dessa recente safra, mesmo pecando em alguns pontos.

Nele, vemos, mais uma vez, um futuro pós-apocalíptico, cuja a estética já tinha sido definida como influência para outros filmes do gênero já no primeiro "Mad Max", no longínquo ano de 1979. Esse tipo de ambientação pode dar diversas possibilidades ao roteiro, que pode expor crít…