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DICA DE DISCO

"Jef Jones" (2015)
Artista: Jef Jones.



Entra ano, sai ano, e a conversa é sempre a mesma: que o rock está morto. Se não morto, mas está quase, dando os seus últimos suspiros. Só que, para cada prognóstico negativo, a todo momento, surgem novas bandas que levam ao pé da letra as palavras de Neil Young: "Rock'n roll can't never die!" E, como missão dada, é missão cumprida, o Jef Jones está aí para provar isso.

Formado em 2012 na cidade de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, o grupo vem batalhando como pode, e já participou de festivais como O Grito do Rock e o Pré-AMP. Tendo na formação Darlan Jones (vocal), Supertramp (guitarra), Wendell (baixo) e Ícaro (bateria), lançaram a pouco seu primeiro disco. E, o resultado é um som pesado e energético; pulsante, talvez seria o mais adequado.



E, nada melhor do que começar com uma música como "Vá se Tratar". Seus primeiros acordes lembram o Green Day em seus melhores momentos (bom sinal). A voz de Darlan é suja e potente, remetendo um pouco ao Matanza. E, a banda, em geral, mostra muita competência, sem que um se sobressaia  mais do que o outro.

"O Filho da Dor", canção seguinte, remete a Bad Religion, tanto no som, quanto na letra, mais introspectiva que a anterior. O ritmo fica mais soturno ainda em "Adestradores de Você", principalmente, por causa da batida hipnótica do baixo. A guitarra new wave em alguns pontos dá um tom interessante. E, mais uma vez, a letra é muito boa.

"Cão Parte 1" possui uma sonoridade Millencolin no talo, enquanto que os vocais remetem à duas bandas maravilhosas dos anos 80 no Brasil: Replicantes e Inocentes. Como se vê, as influências da Jef Jones, diretas ou indiretas, tanto faz, estão muito bem alicerçadas, mas não significa que seja cópia. Até aqui, estão conseguindo imprimir identidade no que fazem. Ponto positivo.

"Cogumelo Boy", porém, mostra alguns defeitos. A letra e o refrão são fracos. É o tipo de música que funciona bem ao vivo, pois tem energia, mais um capricho melhor na composição teria feito a diferença. Coisa que sobra na próxima canção, "Agosto", cuja letra é melhor, mais punk, mais hardcore. E, o som é um primor. De início, lembramos dos dedilhados mais suaves do Led Zeppelin, para, depois, entrarmos na sujeira do grunge. Destaque do disco.


"Bom Ator" tem ironia bem sacada na composição, e o som se mostra arrastado e intenso. Algumas distorções na guitarra são bem interessantes, e fazem algum diferencial nela. Boa música também, mas sem ser um grande destaque. "Mente, Espírito e Carne" se trata de uma introdução acústica. São apenas 24 segundos para preparar o ouvinte para o que vem por aí.

E, preparem-se, porque "Tirania" é puro hardcore. Punk até o osso, deverá ser presença garantida nos shows, para a felicidade dos headbangers de plantão. Para terminar, "Undergound" tem um swing inusitado para a proposta do disco. E, ficou muito interessante. Em certo momento, a guitarra nos leva às insanidades de Tom Morello, do Rage Against the Machine.

Audição acabada, e um sorriso de satisfação no rosto.

Mesmo com a necessidade de uns ajustes aqui e acolá, a Jef Jones está no caminho certo. Soube dosar bem as influências, para criar algo com identidade e frescor. Agora, é esperar novos petardos para os ouvidos.

O rock morreu, mesmo?

NOTA: 8/10.

Link para ouvir o disco:
https://jefjones.bandcamp.com/releases

Fan Page Facebook:
https://www.facebook.com/jefjonesbrasil?fref=ts

Contatos:
(81) 99990.0699 e (81) 98706.7130 (Darlan Jones)
jefjonesoficial@gmail.com

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