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DICA DE FILME

"O Chamado" (1998)
Direção: Hideo Nakata. 



Depois que Hollywood encontrou um forma de faturar alto, fazendo remakes de filmes de outros continentes, mas, com uma visão toda "particular" deles, várias produções ganharam a aura de cult pelo mundo todo. Em especial, o gênero terror no Japão passou a ser bem conceituado, e vários fãs passaram a buscar uma renovação nesse tipo de filme através de produções da terra do sol nascente.

"O Chamado" foi um dos primeiros a conseguir essa façanha. Refilmado em 2002 nos EUA, mas com resultado muito inferior, o original merece a fama que ganhou ao longo dos anos, e permanece como um dos mais originais filmes da safra recente no Japão. Agora, é bom dizer que ele está mais para suspense do que para terror, propriamente dito, e aí que reside a sua qualidade.




Sem se preocupar em dar sustos aleatórios a todo momento, a produção vai envolvendo o espectador num clima de angústia e desespero, que é mais eficiente do que rangido de portas, entre outros barulhos estranhos. E, esse envolvimento só é possível porque a estória é muito bem bolada, e corretamente contada, sem grandes furos.

Imaginem vocês encontrarem uma fita, cuja gravação mostra imagens desconexas, estranhas, sem sentido. Recebem um telefonema dizendo que, em uma semana, vão morrer. Até que, realmente, depois desse prazo, morrem. Pois, é. A narrativa tem esse intrigante enredo como base, onde uma jornalista, que investiga se essa estória é ou não lenda, também acaba caindo na tal maldição.



O que se segue é uma investigação sobre como reverter isso. Em paralelo, ela e seu ex-marido, que também assiste à fita, vão descobrindo a tenebrosa estória que está por trás daquelas imagens. E, talvez seja a única maneira de se salvarem  Cada dia é mostrado em tela, como uma contagem regressiva antes do fim.

De uma coisa não temos do reclamar: o filme tem clima, e muito. Os acontecimentos não têm pressa de acontecerem, e cada um é bem colocado na trama, o que vai explicando, aos poucos, qual a origem da gravação, entre outras coisas. E, é isso o que dá medo; não saber nada, e só ir descobrindo aos poucos. O desconhecido é o que mais assusta.



As atuações, por sinal, tão criticadas em filmes asiáticos, estão até bem comedidas, discretas, de uma certa forma, exagerando nos momentos certos, quando se exige que mostrem real pavor diante de um terror que se aproxima. A direção é minuciosa, eficaz. E, a trilha completa o resto, com bastante intensidade.

Como é de costume em bons filmes do gênero, o final é inesperado e ambíguo, deixando o espectador um pouco confuso, e tentado entender o que se passou. Justamente, é o que falta nesse tipo de filme por aqui, e o que faltou no remake, e nas inúmeras continuações que a franquia teve: um cuidado com a estória, não oferecendo nada de mão beijada ou de forma gratuita. E, sempre com inteligência.


"O Chamado" realmente vale o quanto pesa, Pra quem ainda não viu as versões norte-americanas, não perca tempo com elas. Vá direto na fonte. É muito mais produtivo e recompensador, sem dúvida. Afinal, a originalidade, geralmente, supera a cópia.


NOTA: 8,5/10.

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