Pular para o conteúdo principal
Dica de Filme

"Boa Noite, Mamãe" (2016)
Direção: Veronika Franz.


Tentem recordar: qual o último filme de terror realmente marcante? Ok, tivemos um "Invocação do Mal" aqui, um "Deixe Ela Entrar" acolá, mas, pra um gênero que, nos tempos áureos, lançava, pelos menos uns cinco grandes filmes por ano, convenhamos que a época é de vacas magras. Talvez a pergunta que melhor caiba é: será que já foi feito de tudo em termos de terror, ou ainda pode surgir alguma novidade? Se não surgir, dá pra requentar bem velhas fórmulas?

Este "Boa Noite, Mamãe" cabe na segunda questão. Sim, vocês já viram esse tipo de enredo antes, o desenrolar da história, a tensão crescente, e a grande "surpresa" na parte final. Não se enganem, estamos diante algo que já assistimos outras vezes, porém, que teve impacto maior. Mesmo assim, o conjunto funciona bem, e proporciona uma produção interessante de ver, mesmo que rodeada de muitos clichês.





Desde um núcleo familiar reduzido (uma mãe e seus dois filhos), até mistérios que só se resolverão algum tempo depois, tudo converge para aquele boa tensão de um filme que consegue entreter. Os acontecimentos mostrados são confusos. A princípio, uma jovem que, após sofrer um grave acidente, volta pra casa pra se recuperar. Como sequela, ficou com o rosto ferido, tendo que passar um bom tempo com ele enfaixado.

Mas, seus filhos gêmeos desconfiam de que algo está errado com a mãe deles. Aparentemente, ela está mais agressiva, descontrolada, violenta. Chega a bater neles. Parece até que algo macabro a acompanha, suposição reforçada por uma estranha e sinistra cena na floresta. Seria uma alucinação dos meninos, ou algo de muito errado está realmente acontecendo? Outras sequências também se mostram dúbias, deixando o espectador um tanto curioso se são "reais" ou não, como a que eles colocam um inseto na boca dela.




É só na parte final que o filme se revela. E, acreditem, apesar se algumas cenas denunciarem o que está acontecendo, esse momento da produção é bastante tenso (e, violento). O problema é que algumas partes pesadas acabam tendo a função de esconder que o roteiro apelou para uma solução vista muitas vezes antes em filmes, inclusive, melhores. Caso ele tivesse sido feito há uns 20 anos atrás, a coisa seria diferente.




Só que mesmo com esses pontos negativos, a produção é competente. Cria um bom clima o tempo todo, as atuações são convincentes, e até os furos de roteiro não chegam a incomodar tanto.Mesmo assim, é uma pena que "Boa Noite, Mamãe" seja apenas razoavelmente bom, justamente por não ter se preocupado em se esforçar um pouco mais para usar clichês de maneira correta. Ou seja, querem filmes de terror melhores feitos recentemente? "Invocação do Mal" e "Deixe Ela Entrar", cada um na sua proposta, são superiores em muitos aspectos. Meter medo, como se vê, não é tão fácil assim nos dias de hoje.


Nota: 7/10.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dica de Filme

"As Fitas de Poughkeepsie" (2007)
Direção: John Erick Dowdle.


A maldade humana já gerou filmes verdadeiramente perturbadores, mas, que, muitas vezes, são feitos de forma apelativa, sempre expondo mais violência, como numa forma de fetiche, do que propondo alguma forma de reflexão. Exemplos desse desserviço cinematográfico são muitos, e não vou citá-los aqui, porque só servem mesmo para alimentar mentes doentias. Porém, existem aqueles filmes que conseguem fugir dessa regra, e conseguem propor algo válido, ao mesmo tempo que assustam bastante. É o caso deste "As Fitas de Poughkeepsie".
Primeiramente, é bom que se diga que ele se trata de um falso documentário, usando a (hoje batida) técnica de found-footage, que consiste em apresentar filmagens de maneira amadora, aumentado o tom realístico da obra. O resultado, pelo visto, deu certo. Quando "As Fitas de Poughkeepsie" foi exibido pela primeira vez no conceituado Festival de Trapeze, em Nova Ior…
Lista Especial Final de Ano

20 MELHORES DISCOS DE 2017


Este ano, em termos de música, foi um pouco melhor do que 2016, indiscutivelmente. Novos artistas mostraram trabalhos maravilhosos (Triinca, Royal Blood, Rincon Sapiência, Kiko Dinucci), ao mesmo tempo que alguns da velha guarda voltaram com tudo, em discos que parecem de início de carreira (Accept, Living Colour). 
Além disso, tevemos obras das mais variadas teméticas, desde a banda instrumental Macaco Bong fazendo uma reeleitura pra lá de insana do clássico "Nevermind", do Nirvana, até artistas como Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis, que, com "Sambas do Absurdo", emularam à perfeição a obra do filósofo Albert Camus. 
O resultado desta excelente miscelânea sonora está aqui, numa lista com os 20 melhores discos lançados neste ano que passou, cada um com cheiro e gostos diferentes, mas, que, de forma alguma, são indigestos.
Bon appétit. 🍴

20º
"In Spades"
The Afghan Whigs


19º
"The Rise of Chaos…
Dica de Disco

"Shade"
2017
Artista: Living Colour


BANDA CLÁSSICA DOS ANOS 80 CONTINUA NA ATIVA, E ACABA DE LANÇAR UM DISCAÇO DE ROCK QUE VALE A PENA SER OUVIDO ATÉ O ÚLTIMO SEGUNDO
O Living Colour foi um dos melhores grupos de rock surgidos nos anos 80, e que continuaram a ter relativo sucesso no início da década de 90. Entre idas e vindas, a banda já não lançava material inédito desde 2009, com o bom "The Chair in the Doorway". Eis que, em 2017, surge "Shade", 6º álbum de estúdio deles, e que comprova que o som do Living Colour não se tornou nem um pouco datado, visto que aqui vamos encontrar todos os elementos que tornaram a banda mundialmente conhecida, e que, ao mesmo tempo, ainda soa moderno e contagiante.



"Primos" de som do Red Hot Chilli Peppers e do Faith no More, o Living Colour, ao contrário destes, continua, ainda nos dias de hoje, com uma regularidade muito bacana em sua música, mesmo depois de mais de 30 anos de carreira. Isso se deve a…