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Mostrando postagens de Maio, 2016
Dica de Disco
"The Brightest Void" (2016) Artista: Tarja Turunen.

O metal melódico com altas doses operísticas sempre sofreu certo preconceito por parte doas fãs mais xiitas do metal. É quase como se fosse a versão mais "limpa" e "trabalhada" do new metal. Só que, de fato, a cisma tinha (e tem) fundo de verdade, visto que grande parte das bandas apelam demais para os mesmos clichês, não se reinventando a fazendo tudo muito igual. Tarja Turunen, que foi integrante de um grupo cuja vertente era essa (o Nightwish), hoje parece ter evoluído bem mais do que os seus ex-companheiros de banda. Pelo menos é o que demonstra esse seu mais novo trabalho solo.
As composições não perderam certa grandiloquência nos arranjos, mas, em geral, as músicas de Tarja ficaram mais diretas, mas carismáticas, mais empolgantes. E, isso está bem explicitado na ótima trinca que abre o trabalho ("No Bitter End", "Your Heaven and Your Hell" e "Eagle Eye"). T…
Dica de Disco

"The Evil Divide" (2016)
Artista: Death Angel.


Quando se fala em thrash metal nos EUA, os primeiros nomes que veem à mente são, geralmente, os mesmos: Megadeath, Slayer, Anthrax e o tão odiado Metallica. Mas, tem umas bandas aí, mais ou menos da mesma época que essas mais famosas, que sempre fizeram um trabalho de qualidade dentro do estilo, só que sem grande visibilidade (ainda, e por incrível que pareça). Uma dessas boas bandas é o Death Angel, que já tem até um certo tempo de estrada (foi formada em meados de 1982), sendo este "The Evil Divide" seu 8° disco de estúdio.

E, a cada segundo do álbum dá pra perceber que a o tempo de carreira só fez a banda melhorar, e ainda manter uma certa integridade artística. Não esperem, portanto, grandes novidades no som do Death Angel. Mas, mesmo sem inovar, o grupo se mostra bastante coeso, com um disco que, desde já, pode ser considerado um dos melhores do ano (dentro do estilo). Velocidade, peso e harmonia são e…
Dica de Filme

"A Colina Escarlate" (2015)
Direção: Guilhermo Del Toro.


Chega a ser muito fácil repetir lugares-comuns amplamente divulgados. Quando uma opinião categórica é dada, muitos seguem, sem, muitas vezes, questionar ou entender do assunto em questão. Quando "A Colina Escarlate" estreou, foi quase unânime que o filme era um dos piores trabalhos do diretor Guilhermo Del Toro. Convenhamos: realmente, ele não se compara a "O Labirinto do Fauno", a obra máxima do cineasta. Mas, também, está bem longe de ser algo "menor" em termos de cinema. Na realidade, trata-se de um belo filme (em todos os sentidos), com uma aura clássica que tanto faz falta nas produções de hoje.

Olhando friamente, "A Colina Escarlate", nada mais é, do que um romance (e, dos bons), com a presença de fantasmas. O que não é nenhuma novidade, em se tratando da filmografia de Del Toro, cujos monstros e fantasmas em suas produções ora são seres meramente atormentados, …
Dica de Disco

"Future, Present, Past" (EP) (2016)
Artista: The Strokes.


A indústria fonográfica não é um ambiente nada fácil. Muitas vezes, nem importa tanto o talento musical, e sim, como você sobrevive, dando o que o público quer, e ao mesmo tempo, não perdendo uma certa integridade. O que também é uma faca de dois gumes, pois, ou o artista se reinventa, e corre o risco de ser taxado de "traidor", ou ele permanece fazendo a mesmíssima coisa, e é acusado de estagnação. Há um meio termo? Provavelmente, sim, e o Strokes, pelo visto, está buscando esse equilíbrio.

Começou lançando o seminal "Is This It?", partindo para a boa continuação "Room on Fire", e culminando no competente "First Impressions of Earth". A partir daqui, foram as tentativas de reinvenção. "Angles" e "Comdown Machine" poderiam ser considerados ótimos álbuns caso fossem feitos por uma banda iniciante. Porém, o Strokes já tinha uma certa bagagem, e as e…
Dica de Filme

"V de Vingança" (2006)
Direção: James McTeigue.

"Lembrai, lembrai do cinco de Novembro. A pólvora, a traição, o ardil. Por isso, não vejo como esquecer uma traição de pólvora tão vil."

Às vezes, um elemento da cultura se expande de tal forma que fica incontrolável, até mesmo para os seus criadores. Afinal, será que o escritor Alan Moore e o desenhista David Lloyd, um dia, imaginariam que os quadrinhos de "V de Vingança" pudessem gerar um dos mais espetaculares filmes baseados em HQ's? E, os realizadores da versão cinematográfica, será que poderiam prever que a figura do personagem V pudesse se tornar tão emblemática para essa geração que, rapidamente, a sua máscara foi adotada por militantes no mundo todo? Raríssimo e fascinante caso em que a arte influencia (bastante) a vida real.

Mas, tudo o que está em volta de "V de Vingança" não tira os méritos individuais de cada uma de suas mídias, em especial, sua versão para cinema. Na re…
Lista

10 Exemplos de que Blockbusters Hollywoodianos não Precisam ser Descartáveis


De origem inglesa, a palavra "blockbuster" pode ser traduzida livremente como arrasa-quarteirão. Muito usada no cinemão hollywoodiano, essa expressão tem por objetivo indicar aqueles filmes que tendem a ser muito populares, arrecadando enormes quantias de dinheiro mundo afora. Geralmente, são produções com elevado custo, e com um cuidado visual assombroso. O problema: geralmente, os deslumbrantes efeitos especiais dos blockbuster são inversamente proporcionais à qualidade em outros aspectos, como atuações, direção ou roteiro. Não raro, filmes assim possuem uma história que, além de ruim, é mal conduzida. No entanto, existem honrosas exceções, aquelas produções que conseguiram ir além da mediocridade, e entregaram filmes não só visualmente magníficos, mas também com história e conteúdo. Se todos os blockbusters fossem assim, seria ótimo.


10° "Tubarão" (1975) Quando as mega produções de H…
Dica de Filme

"Spider - Desafie sua Mente" (2002)
Direção: David Cronenberg.


Simbologicamente, a aranha e sua teia possuem vários significados. Um deles, presente na psicanálise, refere-se à obsessão pelo centro, absorvendo grande introspecção, chegando até mesmo a reverberar no narcisismo. No caso de Spider, personagem título deste filme, a introspecção chega às raias da loucura, e a teia da aranha passa a representar o intrincado da mente humana, com todas as suas falhas, desassossegos, paranoias e medos. E, de forma até óbvia, esta é uma das produções mais minimalistas do cineasta Cronenberg.

Quase sempre partindo para o grotesco em seus filmes, com o intuito de criticar as limitações da sociedade, aqui, temos um Cronenberg mais contido, sombrio, até mesmo triste. Ao acompanhar as perturbações de Spider, que vão se revelando aos poucos, nós também somos levados a um mundo de paranoias e intimismo. Sentimos o cheiro do ar (muitas vezes, com repugnância), escutamos cada som c…