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Dica de Filme

"O Rei Leão" (1994)
Direção: Roger Allers e Rob Minkoff.


Uma das melhores coisas em se tratando de clássicos do cinema é que você pode reassistí-los quantas vezes quiser, e eles sempre terão algo de novo para nos dizer, que pode muito bem ser um detalhe, ou uma sutileza que passou despercebida na época em que vimos um determinado filme. Claro, isso se deve bastante ao fato de que amadurecemos, passamos a enxergar a vida com outros olhos e isso influencia, evidentemente, como assimilamos mensagens que, em outros tempos, não entendíamos bem.

"O Rei Leão" é um desses casos. Sim, vamos encontrar nele as velhas lições de moral que, de fato, são importantes, como a necessidade da amizade, de lutar pelos seus objetivos, etc. Temos ainda uma bem-vinda mensagem sobre o ciclo da vida, onde cada ser possui uma função que precisa exercer para manter o equilíbrio das coisas. Mas, além disso, podemos encontrar boas analogias políticas (isso, mesmo) a respeito do poder; ou melhor, pelo apreço ao poder a todo custo, e como um governo autoritário tende a desestabilizar todo o ambiente em que ele se impõe.




Claro que pra essas analogias funcionaram, o roteiro, em si, resvala num certo maniqueísmo, deixando heróis e vilões bem delimitados. Não há como não encarar Scar, o irmão ganancioso do rei Mufasa, como um típico agente do mal. A própria aparência dele já denota isso. Sem contar seus fiéis escudeiros, três hienas não lá muito inteligentes, mas bastante ferozes e amedrontadoras. Já, Simba, filho de Mufasa, Zazu, o conselheiro do rei, e Nala, melhor amiga de Simba são exemplos perfeitos de serem bondosos. 

Esse aparente simplismo na abordagem dos personagens pode incomodar os mais exigentes de hoje, acostumados ao sarcasmo das animações pós-"Shrek", porém, o carisma de todos (até, e principalmente, dos vilões) é tão grande, que se aceita fácil que a história seja contada assim. Uma história, por sinal, muito bem conduzida, apesar de batida. Afinal, já vimos outras vezes a usurpação de um trono por um déspota maquiavélico, e a luta do legítimo herdeiro em busca de seu lugar num reino. O diferencial está nas cores em que cada personagem é pintado.




Mufasa, o rei da selva, é a nobreza encarnada. Possui bastante autoridade, mas, é justo. Já, o seu irmão Scar é o oposto: cínico e invejoso, capaz de tudo para conseguir o que quer. O filho de Mufasa, Simba, é impetuosos, mas, imaturo, e um tanto arrogante, mesmo depois que vira adulto. Porém, são os coadjuvantes de luxo (as hienas e os novos amigos de Simba, Timão e Pumba) que são o verdadeiro destaque. Roubam a cena toda que aparecem, são engraçados (cada um a seu modo, claro), e chegam até a serem de vital importância para a trama em determinados momentos.

O "ponto fraco" do filme reside naquela (ainda hoje) insistência da Disney em colocar seus personagens para cantarem. Para o bem de "O Rei Leão", no entanto, todas as músicas são muito boas, e combinam bem com o momento da história em que são inseridas. A trilha sonora, inclusive, é um espetáculo, indo de canções de Elton John, a composições primorosas e épicas de Hans Zimmer. E, a parte técnica é outro ponto forte, com tomadas belíssimas da África selvagem, com especial destaque para a impressionante cena da debandada do gnus.





Por fim, temos em roteiro forte, que mesmo se utilizando de clichês, emprega cada um deles muito bem. Não há uma cena descartável em todo o desenho, e as falas e atitudes dos personagens são perfeitamente compatíveis com o que está sendo contado. Ele também não apela para soluções fáceis, tendo inclusive, uma das cenas mais tristes da história do cinema, mas, que não descamba para o melodrama. E, a trama ainda está cheia de analogias sociais e políticas, falando até mesmo de coisas bem mais profundas e reflexivas. Mas, tudo com leveza e um humor na medida certa.

"O Rei Leão" é, sem dúvida, um dos melhores filmes da Disney (de todos os tempos, diga-se). É cinema puro e simples, que agrada em cheio as crianças, porém, que possui sutilezas que pessoas mais adultas podem captar sem maiores dificuldades. Um desenho que, passados mais de 20 anos de seu lançamento, não perdeu sua força. É para ver e rever inúmeras vezes na vida, pois, cada assistida será sempre um prazer




Nota: 9/10.



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