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Filme Mais ou Menos Recomendável

"Guardiões da Galáxia: Volume 2"
2017
Direção: James Gunn


"GUARDIÕES DA GALÁXIA: VOLUME 2" É MAIS UM FILME DE SUPER-HERÓIS QUALQUER QUE DESPERDIÇA (DE NOVO) UM ENORME POTENCIAL PARA SER DIFERENCIADO

Há quem diga que há uma cobrança excessiva em cima dos ditos "filmes de super-heróis". Mas, não há. Se esse nicho é a coqueluche do momento, nada mais justo do que cobrar que produções desse tipo tenham "algo a mais" que não seja somente um show pirotécnico de efeitos especiais mirabolantes. E, esse diferencial pode ser no estilo adotado, como fez o ótimo "Logan", que investiu num drama mais pesado, com toques de faroeste e futuro pós-apocalíptico. No caso do universo de "Guardiões da Galáxia", a história pende mais para o humor, para algo mais debochado, mesmo que, por vezes, bobo e ingênuo. Mas, se, pelo menos, o primeiro filme, e, principalmente, este segundo tivessem investido nesse tom mais pastelão o tempo todo, talvez, estivéssemos diante de algo que fugisse mais do lugar comum. No entanto, em ambos os filmes, os seus realizadores esqueceram a premissa básica que rege essa trupe de "super-heróis", e, acovardando-se, preferiram o seguir os velhos clichês do gênero.




O grande defeito de "Guardiões da Galáxia: Volume 2" é que ele repete os mesmo erros do anterior, piorando-os. Se, no longa de 20147, tínhamos, pelo menos, uma primeira metade da produção especial, diferenciada, que apostava num humor dos bons, aqui, nem o começo se salva. A sequência de ação inicial, por exemplo, pretende ser engraçada, mas, não é. Trata-se de um humor forçado, travado, como se estivesse sendo obrigado a fazer graça. E, é essa a tônica que o roteiro vai seguir ao longo de mais de duas horas de duração: uma obrigatoriedade em deixar tudo engraçadinho, e com essa preocupação, poucos momentos são dignos de nota, nesse sentido. Diria, inclusive, que, no meio de tantos personagens, apenas dois são genuinamente engraçados: Drax, o Destruidor e Rocket Raccon, os únicos que conseguem produzir piadas com o mínimo de humor.

Outro ponto bem negativo é o roteiro, simplesmente, muito lugar comum, sem a mínima ambição de tentar contar algo antigo de maneira diferente. São as velhas histórias que já conhecemos de outros tantos lugares, com a enorme preguiça de seguir os mesmíssimos protocolos. O foco fica para Peter Quill, que vai descobrir coisas de seu passado que vão mudar sua concepção de mundo, e, consequentemente, fará ele rever seu papel nos Guardiões da Galáxia. Não é preciso ser muito expert para adivinhar exatamente como uma história dessas vai se desenrolar, não é? Não que clichês não possam ser bem utilizados numa produção de grande porte ("Mad Max: A Estrada da Fúria" que o diga). O que incomoda é quando não há a preocupação desses clichês serem mostrados da forma igual a tantos outros produtos do gênero. A trama aqui caberia facilmente num episódio para uma série de TV, com, no máximo, 30 minutos. Só que estamos falando de um filme que se alonga quatro vezes mais que isso.





É verdade que novos personagens surgem para tentarem dar "gordura" à trama, como é o caso da simpática Mantis, e de Nebula, a irmã barra pesada de Gamora. Até o insipiente Youndu, que, no filme passado, esteve muito limitado, neste, ele ganha um desenvolvimento melhor. Mesmo assim, parece que esses personagens extras e essas sub-tramas foram feitas para taparem "buracos" na história, para que ela pudesse justificar um filme de duas horas de duração, pois, no final, nada disso era necessário para reforçar o sentido de família que os integrante d'Os Guardiões da Galáxia possuem (algo que já tinha ficado bem explicado no longa anterior). Para se ter uma ideia, a primeira hora do filme chega, e, rapidamente, achamos que ele poderia acabar ali, que já estava de bom tamanho. Mas, não. Ele segue, e segue, e segue... E, pior: o humor, mesmo que forçado nessa primeira parte, quase que desaparece na segunda parte, dando lugar a dramas piegas e muita ação; uma ação que até enche os olhos em alguns momentos, é verdade, mas, que cansa fácil.

Claro, os efeitos visuais são belíssimos, além da maquiagem, que consegue dar personalidade a vada personagem, e nos faz acreditar que existam mesmo diversas raças alienígenas no universo. Assim como no filme anterior, "Guardiões da Galáxia: Volume 2" acerta em cheio na trilha sonora, totalmente retrô, e que se encaixam bem na maioria das cenas. E, como já mencionado antes, o humor, algumas vezes, funciona, e isso se deve bastante a Drax, com seu jeito fanfarrão, e Rocket Raccon, com seu habitual cinismo. Podemos até dizer, sem medo de errarmos, que eles salvam o filme, pois, se dependesse do insosso Peter Quill ou da antipática Gamora, o longa seria muito mais chato. Ah, e sem esquecer do "mascote" Groot, que até proporciona algumas cenas legais, mas, que se limita, na maioria das vezes, a ser mais um personagem pronto para virar brinquedo para as crianças, e somente isso.




O elenco, no geral, até parece se esforçar bastante, mas, com poucas exceções, não sai do piloto automático. Dave Batista é o que se sai melhor, divertindo-se muito na pele de Drax. No entanto, Chris Pratt e Zoë Saldaña não conseguem ir além de caras e bocas, e como são os seus personagens os que possuem o maior foco na trama, o fator "atuação medíocre" de ambos contribui bem negativamente para o filme. Até Vin Diesel e Bradley Cooper se saem melhor do que eles, mesmo fazendo apenas as vozes de Groot e Rocket Raccon, respectivamente. De resto, um Michael Rooker competente, como Yondu, e um apático Krt Russel, como Ego, pai de Peter Quill. Nesse contexto pouco animador, a direção de James Gunn consegue dar algum dinamismo ao filme, tirando leite de pedra com um roteiro muito ruim (a cago do próprio cineasta, diga-se). 

É chato admitir, mas, "Guardiões da Galáxia: Volume 2" representa bem os filmes de super-heróis atuais: vazios de conteúdo, porém, que fazem muito barulho nos multiplexes mundo afora. Porém, mesmo sendo uma montanha russa divertida (em poucos momentos), logo esquecemos da experiência, e este se torna mais um longa a ser esquecido até a próxima semana. Com um humor geralmente forçado, personagens mal construídos, um clímax extremamente longo, e um monte de clichês que poderiam ter sido evitados, o filme, com certeza, não vai ficar na memória de ninguém. Vai vender revistas, camisetas, bonecos, cadernos, e outros produtos do tipo? Com certeza. Vai gerar alguns risos histéricos em algumas salas de cinema? Sem dúvida. E, vai até fomentar ainda mais a velha disputa Marvel x DC? Evidente. O que não vai é ficar no rol das melhores coisas feitas no gênero (mais uma vez).


Nota: 5/10


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