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Mostrando postagens de Julho, 2017
Dica de Filme

"Moby Dick" 1956 Direção: John Huston

MONUMENTAL ADAPTAÇÃO DE UM CLÁSSICO DA LITERATURA MOSTRA COMO DEVERIAM SER AS SUPERPRODUÇÕES DO CINEMA
Uma verdadeira força da natureza. É assim que pode ser descrito, literal e metaforicamente falando, o livro "Moby Dick", escrito por Herman Melville. Num texto famoso, Jorge Luís Borges define a obra como um “romance infinito - uma narrativa que, página a página, se amplia até superar o tamanho do cosmos”. Pra quem já teve a oportunidade de ler as quase 600 páginas de "Moby Dick", talvez não ache a opinião de Borges tão exagerada assim. E, como toda magnífica obra literária que se preze, sempre que ela tem alguma forma de adaptação, algo parece que fica desconexo, fora do lugar, ou, simplesmente, toda a essência da obra é modificada. Para transpor um livro para o cinema, por exemplo, sempre há a velha dificuldade de se conseguir passar para os espectadores as mínimas sensações que os leitores tiveram. E, no…
Dica de Filme

"Paraíso à Oeste"
2009
Direção: Constantin Costa-Gavras


APESAR DE NÃO SER TÃO "DIRETO" QUANTO EM TRABALHOS ANTERIORES, COSTA-GAVRAS CONSEGUE FAZER UM FILME BASTANTE POLÍTICO NAS ENTRELINHAS
Ok, eu sei que o termo "cinema político" causa verdadeira ojeriza a alguns cinéfilos. A desculpa é sempre a mesma: esse tipo de filme é panfletário demais, chato demais, ideológico demais, etc. Só que há décadas um certo Constantin Costa-Gavras vem mostrando um domínio impressionante nesse tipo de cinema, realizando produções imensamente questionadoras, talvez, para o desgosto de alguns, que prefiram algo que seja "somente" entretenimento. Só que, para Costa-Gavras, a arte pode ser bem mais do que isso, e, desde o estupendo "Z", de 1969, que ele utiliza o seu talento em prol de causas muito nobres e justas, mesmo que isso, hoje em dia, soe antiquado e careta demais. E, é quando chegamos a este "Paraíso à Oeste", que, numa leitura…
Dica de Filme

"Django Livre"
2012
Direção: Quentin Tarantino


SANGRENTO FAROESTE NÃO É UM DOS MELHORES TRABALHOS DE TARANTINO, MAS, CONVENCE ATRAVÉS DE UM ROTEIRO ENVOLVENTE E DE DIÁLOGOS INTERESSANTES

Os filmes de Tarantino não devem ser "levados à sério" (no bom sentido). Isso porque ele faz, abertamente, um "cinema de homenagens", cujas referências vão desde os filmes de kung fu, até os "faroestes spaghettis". E, baseado nessas referências, Tarantino vê a oportunidade perfeita para exercitar o seu cinismo, o seu deboche, inclusive, alfinetando a própria indústria cinematográfica de vez em quando. E, essa percepção é determinante para apreciar um trabalho como "Django Livre", que, como toda produção no estilo "faroeste spaghetti", tem muitos acertos e muitos erros, mas, que, no final das contas, é um ótimo, mesmo que não seja algo definitivamente marcante.



A história, a mais simples possível, flerta não somente com um tema recor…
DICA DE FILME

"Fome"
1966
Direção: Henning Carlsen


FILME BASEADO NO ROMANCE DE KNUT HAMSUN CONSEGUE PASSAR TODA A ANGÚSTIA E SOFRIMENTO DA OBRA ORIGINAL
Dignidade. Palavra talvez vazia de sentido nos dias de hoje, mas, que tem um poder avassalador. Quando a arte (principalmente, a literária) resolve fazer dessa palavra o seu combustível, o resultado, em algumas ocasiões, é brilhante. O livro "Fome", por exemplo, escrito pelo norueguês Knut Hamsun em 1890, é dessas obras que dilaceram seu leitor com um relato bastante contundente não só da fome em si, mas, da dignidade de seu protagonista em se recusar a se rebaixar diante das pessoas. Pessoas, essas, que compõem uma sociedade corrupta, mesquinha, que só se preocupa com as aparências, e não possui uma gota, sequer, de altruísmo. Coube ao diretor dinamarquês Henning Carlsen transpor essa obra de grande força humana para o cinema de maneira arrebatadora. 



Mesmo que o filme não retrata todas as grandes passagens do livro, …
Dica de Filme

"Uma Lição de Amor"
2001
Direção: Jessie Nelson


LINDA HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO NÃO APELA PARA O DRAMA RASO, E AINDA TRAZ UMA ÓTIMA TRILHA SONORA TOTALMENTE CALCADA NOS BEATLES
Alguns filmes são fortes porque são simples. Não necessitam de muita complexidade, bastando colocar certas questões nas entrelinhas, com sutileza, com delicadeza, que o resultado já se torna plenamente satisfatório. Agora, claro, histórias simples sempre correm o risco de se transformarem ao algo apelativo, pouco natural, pouco "orgânico". O risco existe, e, de fato, muitas produções descambam para soluções fáceis e pouco interessantes. Mas, há outras que conseguem driblar isso, e mesmo com temas, aparentemente, excessivamente melodramáticos, conseguem extrair uma emoção genuína em sua abordagem. Sim, "Uma Lição de Amor" (tradução nem um pouco feliz para "I Am Sam") consegue essa façanha.



Sam Dawson é o protagonista dessa história singular. Com problemas mentais des…