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DICA DE FILME

"PRINCESA MONONOKE" (1997)




Essa produção japonesa dá de 10 a zero em muitos desenhos norte-americanos, que, ora apelam para um moralismo vazio, ora para ironias sem sentido. "Princesa Mononoke", ao contrário, preocupa-se em contar uma boa e cativante história, sempre com a sensibilidade e a responsabilidade de seu realizador. E, nisso, Hayao Miyazaki mostra-se um exímio diretor, construindo uma bela e coesa fábula envolvendo personagens realmente fascinantes. Pena que o reconhecimento do diretor no ocidente só veio quatro anos depois, quando ganhou o Oscar por "A Viagem de Chihiro".

A trama de "Princesa Mononoke" ocorre na região de Tohoku, na era Muromachi (Período feudal japonês), em uma época em que o Deus da floresta acaba de ser assassinado. Começa então, um conflito entre humanos e protetores/deuses da floresta, já que os humanos pretendem tomar a floresta para si e usar as capacidades dos deuses em benefício próprio. O que está bem próximo, já que a população humana cresce, e os protetores diminuem.




Mas, um guerreiro humano é amaldiçoado após matar um deus javali que estava atacando sua tribo, herdando a maldição do Deus da floresta, e precisa descobrir uma cura para seu mal. É quando ele conhece San, uma linda jovem conhecida como Princesa Mononoke, que curiosamente, foi criada por uma loba (e que guarda muitos segredos). Agora, cabe a ambos descobrir o segredo de San e achar uma cura para a doença de Ashitaka. Porém, há muitos conflitos entre eles, enquanto Ashitaka procura se curar, a princesa San, tenta impedir que os avanços da tecnologia destruam a floresta.

Como era de se imaginar, o filme faz uma analogia com o atual progresso humano estar destruindo os recursos naturais. Nas mãos de um diretor menos habilidoso, isso seria pretexto para fazer uma animação panfletária e ecologicamente chata. Nas de Miyazaki, serviu como pano de fundo para contar um enredo fabuloso. Mesmo com sua longa duração (130 minutos), não cansa em nenhum momento. Algumas cenas um pouco violentas talvez peguem de surpresa algum espectador desavisado, que não esteja acostumado às animações japonesas. Porém, não são cenas apelativas. Ao contrário, são necessárias para a própria história.




Enfim, um grande clássico que merece ser visto pelo menos uma vez na vida. Miyazaki mostra ser um grande mestre na sua arte.

Curiosidade: na época de seu lançamento, "Princesa Mononoke" desbancou "Titanic", em termos de bilheteria, em seu país de origem: o Japão. Prova de que um povo educado sabe muito bem o que quer, sem precisar se influenciar por nenhum produto hollywoodiano.


NOTA:10/10.

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