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Mostrando postagens de Setembro, 2015
DICA DE DISCO

"Selvática" (2015)
Artista: Karina Buhr.


Difícil falar de uma cantora como Karina Buhr. Além de sua carreira solo, ela escreve alguns ótimos textos sobre a condição atual da mulher na sociedade, além de fazer participações especiais muito boas para outros artistas, como a Banda Eddie. Mas, sozinha, ela deixou um pouco a desejar nos dois primeiros discos dela. Não que sejam necessariamente ruins, mas há algo ali que não se encaixa.

Olhando friamente pra esses primeiros trabalhos, podemos perceber que o que faltou mesmo é harmonia. Karina teve boas ideias para as suas músicas, mas se perdeu no exagero, e acabou deixando tudo meio freak (da forma de cantar, até as letras fracas). Já, em "Selvática", seu mais recente disco, a coisa parece que começa a mudar de figura logo na faixa de abertura.


"Dragão", que abre o álbum, não tem Karina carregando demais a sua voz, a letra é razoavelmente boa ("A tristeza ensina a enfrentar leões"), e o s…
DICA DE FILME

"Que Horas Ela Volta?" (2015)
Direção: Anna Muylaert.


De uns tempos pra cá, o cinema brasileiro vem tentando criticar a classe média. O problema é que geralmente essas produções, no alto de suas pretensões, não conseguiram realizar uma avaliação verdadeiramente mordaz ao estilo de vida individualista e mesquinho desse grupo, e, em alguns casos, parecem fazer apologia a ele (vide os sofríveis "O Som ao Redor" e "Casa Grande", por exemplo).

"Que Horas Ela Volta?" quebra esse paradigma. Consegue fazer uma boa análise dessas novas engrenagens sociais do Brasil, mas sem oferecer algo panfletário. A cineasta Anna Muylaert conduz o filme com muita leveza, simplicidade, com um certo minimalismo. E, que bom. Sem soar nem um pouco prepotente, o resultado é a exposição do cotidiano de uma família, com foco em sua empregada doméstica. A mensagem, então, vai sendo passada através dos pequenos acontecimentos.



No início, vemos Val (a empregada) cui…
DICA DE FILME

"Zona de Conflito" (1999)
Direção: Tim Roth.


A aparente normalidade de uma família pode esconder segredos dos mais terríveis. Certamente o cinema já explorou bastante esse, mas "Zona de Conflito", é, digamos, poderoso. É um filme que incomoda bastante ao expor que as aparências, muitas vezes, são isso mesmo: meras aparências. E, que as piores coisas podem acontecer por trás de uma aparente tranquilidade.

Por sinal, a produção é a estreia do ótimo ator Tim Roth na direção. Mas, nem parece. Ele conseguiu uma segurança tremenda na condução do longa, que deixa muito veterano no chinelo. E, não se enganem: ele fez as escolhas mais difíceis, e foi até ousado ao falar de um tema delicado e que está no seio de muitas famílias por aí.



Como simples espectadores que somos (e, nada mais) vemos o cotidiano de pessoas, à primeira vista, normais. Um casal de meia idade, com dois filhos adolescente, e um bebê que acaba de chegar. O pai, super atencioso, a mãe, carinhos…
DICA DE DISCO

"Jef Jones" (2015)
Artista: Jef Jones.



Entra ano, sai ano, e a conversa é sempre a mesma: que o rock está morto. Se não morto, mas está quase, dando os seus últimos suspiros. Só que, para cada prognóstico negativo, a todo momento, surgem novas bandas que levam ao pé da letra as palavras de Neil Young: "Rock'n roll can't never die!" E, como missão dada, é missão cumprida, o Jef Jones está aí para provar isso.

Formado em 2012 na cidade de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, o grupo vem batalhando como pode, e já participou de festivais como O Grito do Rock e o Pré-AMP. Tendo na formação Darlan Jones (vocal), Supertramp (guitarra), Wendell (baixo) e Ícaro (bateria), lançaram a pouco seu primeiro disco. E, o resultado é um som pesado e energético; pulsante, talvez seria o mais adequado.



E, nada melhor do que começar com uma música como "Vá se Tratar". Seus primeiros acordes lembram o Green Day em seus melhores momentos (bom sinal). A v…
DICA DE FILME

"A História da Eternidade" (2014)
Direção: Camilo Cavalcante.


Algumas obras no cinema são de difícil classificação, e até de entendimento. Recentemente, a sétima arte nos deu "A árvore da Vida" e "Holy Motors", dois filmes que precisam ser assistidos com a atenção necessária para pegar cada uma de suas sutilezas. Só que há outras produções que tentam enveredar por esse caminho, de entendimentos mais subjetivos e implícitos, mas que não consegue, no fim das contas. "A História da Eternidade" exemplifica isso, apesar de ser um tanto interessante.

O problema aqui talvez resida mesmo na direção. Mais particularmente o que atrapalha é o excesso de zelo técnico. Pode parecer incrível, mas é isso mesmo. São imagens muito trabalhadas, milimetricamente pensadas, e realizadas com rigor. Lindas, admitamos. Porém, vazias de propósito na maioria das vezes. É muita contemplação, é poca humanidade, pouco sentimento, pouca pulsação. Parecem pinturas…
DICA DE DISCO

"Metá Metá" (2011)
Artista: Metá Metá.


Juçara Marçal virou quase uma unanimidade por conta de seu primeiro disco solo, "Encarnado", lançado ano passado. Com uma fórmula que unia interpretação passional, com uma sonoridade minimalista, mas muito rica, esse álbum, rapidamente, ganhou status de clássico moderno. Por isso, é tão válido buscar o que a cantora fazia antes. Daí, o ouvinte poderá se reconfortar com um verdadeiro achado, chamado Metá Metá, uma banda muito interessante.

Basicamente, o grupo é um trio (Juçara Marçal nos vocais, mais os músicos Kiko Dinucci e Thiago França). Ou seja, uma parte do embrião do disco "Encarnado". Por isso, os ouvidos mais habituados à sonoridade desse trabalho, não vão encontrar problemas em apreciarem o primeiro lançamento da Metá Metá, feito em 2011. Ao contrário, podem, inclusive, fazer um curioso jogo, tentando encontrar similaridades em ambos os trabalhos.


Logo de início, "Metá Metá", começa co…
DICA DE FILME

"Hoje, Eu Quero Voltar Sozinho" (2014)
Direção: Daniel Ribeiro.


Simplicidade. Pra quê mais do que isso para se fazer um bom filme? É preciso rechear uma produção de referências ao cinema francês? Colocar um enquadramento milimétrico que lembre Kubrick? Ou escrever um diálogo que reneta a tal filme obscuro que ninguém viu? Pois, é. "Hoje, Eu Quero Voltar Sozinho" não padece desse mal, e chega a ser desconcertante a foma natural com que ele aborda situações complicadas, principalmente para alguém que acabou de entrar na adolescência.

Só que Leonardo não é apenas alguém jovem, com os hormônios à flor da pele. Possui uma limitação: a deficiência visual. Tirando Giovana, sua melhor amiga, e que o ajuda em diversos momentos, ele é ridicularizado por alguns colegas de classe, e vive em conflito com pais, já que estes possuem um cuidado redobrado para com ele. Como ele mesmo diz numa ocasião, "tem hora que eu queria ir pra um lugar onde ninguém me conheces…
DICA DE FILME

"Conta Comigo" (1986)
Direção: Rob Reiner.


O cinema já mostrou ótimas demonstrações de amizade na tela grande. Mas, poucos filmes foram tão honestos e bem contados quanto "Conta Comigo". A produção é baseada num conto de Stephen King, chamado "The Body" ("O Corpo"), o que surpreendeu muitas pessoas na época, tão acostumadas às obras de terror do escritor. Só que King saiba também escrever dramas muito singulares e cativantes, e aqui está a prova.

A relação de amizade entre os meninos da trama é tão tocante e sincera, que coloca no chinelo muitas produções de hoje, que tentam trazer um tema parecido. Por sinal, é interessante notar que, mesmo os garotos sendo pré-adolescentes, e sendo, em muitos aspectos, infantis e imaturos, eles possuem mais carisma e inteligência do que muitos personagens já adultos de filmes hollywoodianos recentes. Estaríamos regredindo? Bem, mas isso já é outra estória.




O que conta no filme é como, independente …
DICA DE FILME

"O Abutre" (2014)
Direção: Dan Gilroy.


Este filme pode ser colocado como a estória de um personagem amoral convivendo num sistema imoral. À primeira vista, essa descrição pode soar estranha, mas, acreditem, ela faz muito sentido no contexto da produção. Um protagonista ser uma espécie de anti-herói, com um caráter totalmente fora dos padrões, não chega a ser novidade. Mas, aqui, a ironia e o sarcasmo fazem do resultado algo fascinante.

Mas, provavelmente, vocês não terão simpatia por Louis Bloom. E, é aí que reside a grande qualidade de "O Abutre". Não há a preocupação em julgar as ações dele; isso fica a cargo do espectador. Este, por sua vez, será um voyeur da desgraça alheia, onde Bloom será apenas uma peça. Logo de cara, o personagem agride um policial, para depois revender material roubado. Sua conversa é envolvente e tem carisma, só que não somos obrigados a concordar com ele.




Eis que, devido à sua lógica muito, digamos, "peculiar", ele …