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Mostrando postagens de Julho, 2014
DICA DE FILME

"O SENHOR DAS ARMAS" (2005)




"Há mais de 550 milhões de armas de fogo em circulação no mundo. Uma arma para cada 12 pessoas no planeta. A única pergunta é: como armaremos as outras 11!"

Numa época que os conflitos bélicos estão virando a expressão máxima de nossa irracionalidade, mas, ao mesmo tempo, estão ficando cada vez mais "pop's", uma das melhores coisas a fazer é assistir uma produção que se aproveita bem desse nosso cinismo para cuspir na cara algumas verdades sobre o famigerado comércio de armas. "O Senhor das Armas" nos oferece munição (perdão o trocadilho) para diálogos sobre o assunto, e mesmo assim não é uma experiência cinematográfica chata ou partidária.

O início do filme acompanha a confecção de uma bala, e sua consecutiva "viagem" de forma clandestina, até atingir a cabeça de um menino, que está lutando numa dessas guerras civis que vemos pela TV, enquanto jantamos no conforto do lar. Já, diante dessa se…
DICA DE DISCO

"RELATIONSHIP OF COMMAND" (2000)




Os melhores lançamentos no gênero "rock" dos últimos anos têm tido uma característica em comum: quase todos prestam reverência a estilos antigos, indo pegar lá nos primórdios de algum deles a inspiração para fazer grandes álbuns. Não se tratam de cópias, é bom frisar, mas de trabalhos bastante atuais, onde se encontram ecos do passado. No caso da banda At The Drive-In, ela foi buscar no punk suas influências, mais precisamente, na era anterior a ele, onde grupos como Stooges, MC-5 e New Yory Dolls foram muito mais radicais do que Sex Pistols ou Ramones, por exemplo.




Essa postura evidencia o que vamos encontrar neste disco: muita energia, fúria e explosão. Claro, alguma melodia em tanto mais palatável, porém, sempre com bastante peso no som, e um bom gosto instrumental absurdo. A primeira música, "Arcarsenal" presta homenagem ao que Iggy Pop e Cia fizeram de melhor. "Pattern Against User" vai na mesma…
DICA DE FILME

"STALKER" (1979)




Cinema é diversão, entretenimento. E, de fato, nunca deixou de ser. Mas, de vez em quando, também pode ser um valoroso meio para refletir sobre assuntos aparentemente simples de uma forma um pouco mais complexa. Muitos, no entanto, fogem disso como o Diabo da cruz por considerarem um filme com essas características "difícil" demais. "Stalker", do russo Andrei Tarkovski, mesmo gerando muita reflexão, não é difícil, apesar de ter cenas lentas demais para os atuais padrões do cinema comercial.

Um engano recorrente é colocar "Stalker" no rol das ficções científicas. Ele se mostra bem mais que isso. A estória trata de um lugar chamado A Zona, que é onde um meteorito caiu a mais de 20 anos. Depois que várias pessoas desapareceram no local, o governo cercou sua área e impede que qualquer um se aproxime. Nisso, surgem os stalkers, guias clandestinos que levam as pessoas até lá, pois acredita-se que A Zona possui poderes esp…
DICA DE SÉRIE

"BEAKING BAD" (2008-2013)




Hype é uma expressão inglesa usada para designar algo muito estimado ou valorizado, mas que não corresponde às expectativas. Na cultura pop (seja no cinema, na literatura ou na TV), os exemplos recentes são muitos, desde o disco "Randon Access Memories", do Daft Punk, até os filmes "O Som ao Redor" e "Argo", todos de qualidade inferior se comparado a todo o estardalhaço que causaram. No caso da série televisiva "Breaking Bad", ela não chega a ser ruim, porém, mostrou-se bem aquém do esperado.

A bem da verdade, ela tem um péssimo início, como muito estilo e pouco conteúdo. São sequências e diálogos que seriam muito bem colocados num filme de Tarantino, por exemplo, mas que aqui soa apenas como vergonha alheia. Diretores e roteiristas que passaram pela série conseguem domar esses ímpetos no decorrer dela, mas esses excessos acabam minando bastante o potencial do material.




A estória em si é intrigant…
DICA DE FILME

"DANÇANDO NO ESCURO" (2000)




Após uma estréia um tanto quanto medíocre com "Os Idiotas", Von Trier realizaria um filme magnífico, "Dançando no Escuro". Ele serviu como uma espécie de prelúdio para o que viria a ser a obra-prima do diretor, "Dogville", além de ser uma produção que, mesmo com alguns convencionalismos, está acima da média de coisas pedantes ou pretensiosas que Von Trier faria anos depois, como "Melancolia" ou "Ninfomaníaca".

Interessante notar que em "Dançando no Escuro", há um contraponto entre um cinema experimental (resquícios do movimento Dogma 95) e algo mais elaborado. Isso se percebe quando são mostradas cenas do cotidiano dos personagens de maneira quase documental e as sequências musicais possuem um refinado apuro técnico.




A estória em si, apesar de tradicional em alguns momentos, é extremamente bem contada, tocante, humana e bonita. Fala de Selma Jezková, que, vinda da Checoslováq…
DICA DE FILME

"DIÁRIOS DE MOTOCICLETA" (2004)




Desde a década de 60 que os roadie movies geram fascínio entre os cinéfilos. Após o clássico de Dennis Hooper, "Easy Rider - Sem Destino", muitos outros filmes abordaram a temática de uma viagem sem rumo, em busca de novas descobertas. "Diários de Motocicleta" vai por esse paradigma, e as descobertas que os protagonistas fazem nem sempre são prazerosas. Além disso, num determinado momentos, eles fixam passagem, passando boa parte da projeção apenas absorvendo o que viram até então.

Um desses aventureiros é ninguém menos que o Che Guevara. O filme é baseado livremente em relatos seus e de seu companheiro de viagem, Alberto Granado. Juntos, eles decidiram percorrer toda a extensão da América Latina no início dos anos 50, com o intuito de conhecer melhor a região e seus povos. De início, os percalços encontrados são naturais nesse tipo de empreitada: desavenças com moradores locais, dificuldade para conseguir alim…
DICA DE FILME (RAZOÁVEL)

"OS IDIOTAS" (1998)




Ame-o ou odei-o; coloque-o num altar ou amaldiçoe toda a sua família. A personalidade do cineasta Lars Von Trier é feita de extremos. Paralelo a isso, seus filmes sempre parecem querer ultrapassar alguma espécie de limite, seja no conteúdo ou na estética. Em sua estréia com "Os Idiotas", o limite pareceu ser a linha que separa a sanidade da loucura, ou, pelo menos, o que consideramos como sendo um comportamento (a)normal em sociedade. Fazendo parte do movimento Dogma 95, a produção segue à risca seus mandamentos: tratamento artesanal de câmera, sem trilhas-sonoras e com a utilização de atores amadores.

No filme, a sensação de incômodo (algo, de fato, recorrente na trajetória de Von Trier) é constante. O enredo fala de um grupo de pessoas que agem como se fossem deficientes mentais, com o intuito de se divertirem, e, por tabela, quebrar alguns padrões sociais. Sem o menor tato, o longa mostra ao espectador cenas desconfort…
DICA DE FILME

"CRÔNICA DE UMA FUGA" (2006)




O cinema latino-americano é profícuo em abordar como tema as ditaduras militares que acometeram a região entre as décadas de 60 e 80. Muitos consideram o assunto um tanto batido, achando um exagero tantos filmes falarem desse período. Porém, esse aparente "exagero" se deve, justamente, à omissão das próprias autoridades desses países, cuja a liberação de informações do que ocorreu naquela época nunca é feita, ficando, pois, esse parte da história, bastante obscura. Cabe à arte, portanto, cumprir esse papel, baseada nos relatos dos sobreviventes, daqueles que foram sequestrados e torturados, mas conseguiram escapar. "Crônica de uma Fuga" está nesse rol, e é um dos melhores filmes recentes a tocarem nesse assunto.




Uma coisa que chama a atenção nessa produção é o uso de sua câmera. Em quase todo o tempo ela fica na perspectiva dos que estão presos. Se eles encontram-se deitados no chão, ela também está; caso estejam …
DICA DE FILME

"UMA NOITE DE CRIME" (2013)




Às vezes, não dá para entender certas exigências do público e dos críticos de cinema. Quando um filme se propõe a ser crítico, é quase unânime que querem que ele seja panfletário, à lá Michael Moore. Esquecem-se, no entanto, que o tiro, com frequência, sai pela culatra, e muitos cineastas, na empolgação de passarem a sua mensagem, deixam seus filmes pedantes, afastando-se da proposta inicial.

Peguemos a produção "Uma Noite de Crime" para exemplificar. Ele foi bastante malhado por uma boa parte das pessoas que o assistiram sob a justificativa de que ele começa levantando pontos interessantes, como a nossa relação com a questão da violência, e depois, descamba para um suspense vazio. Falam muito de "oportunidades perdidas" neste longa. Só que não é bem assim.




Ele, de fato, em seu início, foca-se num hipotético futuro, onde a população dos EUA conseguiu baixar a criminalidade do país ao instaurar o "dia da purgaç…
DICA DE FILME

"DOGVILLE" (2003)




Lars Von Trier é o cineasta atual preferido para se odiar. Mostrando-se, é verdade, muitas vezes pedante, arrogante e sendo criador de polêmicas vazias, de algo não se pode acusá-lo: oportunismo. Desde sua estréia em 1988 com "Os Idiotas", que fez parte do movimento Dogma 95, ele nunca teve concessões com sua arte. Nessa produção, expunha, sem pmudores, cenas de sexo e grupo explícitas e colocava deficientes mentais para atuarem como eles mesmos. Depois, quase levou Björk à loucura em "Dançando no Escuro". Chocou o público com "Anticristo", e, recentemente, mostrou muita técnica em filmes enfadonhos ("Melancolia" e "Ninfomaníaca").

No meio de todos estes, porém, conseguiu fazer sua obra-prima: "Dogville". Até mesmo quem costuma torcer o nariz para as produções do dinamarquês, rende-se a este puro exercício de fazer cinema. Trata-se, antes de tudo, de um desafio. O cenário onde se passa…
DICA DE FILME

"VIVA À LIBERDADE" (2013)




Nem sempre a primeira impressão ser diferente do previsto é algo necessariamente ruim. Peguemos como exemplo o filme "Viva à Liberdade". Além da produção ser italiana, o enredo fala da troca de papéis por irmãos gêmeos. Seria de supor que se trata daquelas comédias escrachadas, em tom de besteirol, fazendo a platéia morrer de rir o tempo todo. Aqui, no entanto, não é bem assim.

Esse longa tem até alguns momentos de humor, mas são esparsos durante toda a narrativa, e servem mais para sorrir do que para gargalhar. Ele, inclusive, é bem comedido, sem atuações exageradas. E isso é bom. A partir do instante em que quebra convenções ao anão dar exatamente o que esse tipo de estória geralmente nos oferece, "Viva à Liberdade" foca em outras questões bem mais interessantes, como o desconforto com a vida cotidiana e o nível de falsidade no jogo político.




E, essa estória poderia render, por sinal, um sem número de clichês, o qu…
DICA DE DISCO 

"ONCE MORE 'ROUND THE SUN" (2014)




O Mastodon é uma das poucas bandas atuais que vem mostrando uma carreira com bastante unidade. Todos os seus discos lançados até agora são dignos de nota, alguns sendo considerados por muitas pessoas como os melhores da década, caso de "Leviathan", "Blood Mountain" e "Crack the Skye". Após o ensolarado "The Hunter", de 2011, o grupo parece ter abandonado de vez os discos temáticos, partido para uma produção mais heterogênea. O resultado continua acima da média.

"Once More 'Round the Sun" é fácil um dos álbuns do ano. Começa sua viagem sonora com a música "Tread Lightly", onde uma suave introdução de violão logo é substituída pela poderosa massa sonora do Mastodon, aqui, mais entrosados do que nunca. A voz rasgada do baixista Troy Sanders já se faz familiar para quem acompanhou os lançamentos da banda ao longo desses anos.




Mas, é na faixa seguinte, "The Mot…
DICA DE DISCO

"DIRT" (1992)




Rótulos, às vezes, atrapalham e muito, principalmente no tocante à música. Quando a turma do grunge explodiu há mais de 20 anos em Seatle, várias bandas de sons muito diferentes foram colocados no mesmo pacote. O Alice in Chains, por exemplo, podia ter um visual que lembrasse todo aquele hype, mas sua música era calcada totalmente no heavy metal setentista, mais precisamente tendo o Black Sabbath como influência. Já, os outros grupos da cena eram mais voltados para o punk dos Sex Pistols, em sua maioria.




Depois de lançarem o ótimo "Facelift" e de terem emplacado um mega-hit, "Man in the Box", o Alice compôs aquele que seria seu disco essencial, "Dirt". Com linhas vocais mais arrastadas e soturnas de Layne Staley, guitarras ora enfurecidas, ora tristes de Jerry Cantrell, e ainda tendo uma coesa cozinha a cargo do baixista Mike Starr e do baterista Sean Kinney, o grupo conseguiu fazer um poderoso álbum de puro rock, mas …